Nesta quinta-feira, logo cedo, a diretoria do Sesi/Senai resolveu fustigar os sindicatos, colocando em dúvida o uso que fazemos das contribuições de professoras, professores, auxiliares e técnicos, destinadas a suas entidades representativas.
Ora, o que fazemos está claro para toda a categoria: orientamos, apoiamos e instruímos nossos representados; prestamos assessoria jurídica e defendemos vítimas de assédio moral – cada vez mais frequente nas escolas do Sesi/Senai; organizamos a categoria em encontros profissionais; promovemos congressos de aprimoramento dos educadores; divulgamos fatos relevantes e explicamos o que se faz da Educação por aqui. Lutamos com a categoria.
E isso não é pouco.
A categoria – professores, auxiliares, técnicos de ensino – acompanha de perto esse trabalho. Depende dele quando a força das instituições de ensino voltam-se para a promoção de eficiências e lucros e esquecem do aprimoramento das condições de trabalho.
Ou quando assediam o professor, como o Sesi/Senai fizeram hoje ao circular notícias de desemprego e lançar dúvida sobre a atuação legal, justa e necessária dos sindicatos.
Ora, o Sesi/Senai precisam primeiro fazer a sua lição de casa.
Em primeiro lugar, a FIESP é uma entidade sindical e também arrecada contribuição compulsória que não é fiscalizada por ninguém. E, pior, usa o dinheiro para financiar golpe e para patrocinar candidaturas políticas.
O Sesi e o Senai, vejam só, também têm arrecadação compulsória, de 2,5% da folha de pagamento das indústrias. As indústrias recolhem, mas quem paga? Os industriais? Não, eles não enfiam a mão no bolso. Eles simplesmente repassam esse custo aos preços dos seus produtos e os consumidores, nós todos, pagamos. E isso é chamado, quase com graça, de “custo Brasil”.
Há que perguntar aos industriais se concordam com esse tributo compulsório. Se eles são chamados a opinar sobre como o dinheiro arrecadado é gasto ou investido. Se concordam em patrocinar equipes profissionais de voleibol, de polo aquático, de atletismo. Se essa é a vocação do SESI.
Há que perguntar aos gestores da FIESP, o porquê de não concordarem com o fim da “contribuição” compulsória, se julgam que a gestão do dinheiro da indústria é democrática.
Na sua nota agressiva de hoje, o diretor de RH do Sesi/Senai, José Roberto de Melo, falou muito mas disse pouco. Não disse por que Sesi/Senai tem dado pouca importância a uma negociação séria sobre o reajuste de seus profissionais. Não disse como é aplicado o dinheiro do Sesi/Senai. Não disse por que se recusa a encarar de frente as repetidas acusações de assédio dentro de suas escolas. Escondeu o importante. Mas se expôs ao escrutínio público. E dessa vergonha ele não pode escapar.
Fonte: Fepesp